Na conversa gravada que ocorreu em março deste ano entre o atual
ministro Romero Jucá (PMDB-PR) e o ex-presidente da Transpetro Sérgio
Machado, o então senador peemedebista afirma que "caiu a ficha" de
líderes do PSDB sobre o potencial de danos que a Operação Lava Jato pode
causar em vários partidos. As informações são da Folha de S. Paulo. "Todo mundo na bandeja para ser comido", diz Jucá.
Na
conversa, Sérgio Machado - que foi do PSDB antes de se filiar ao PMDB -
diz que "o primeiro a ser comido vai ser o Aécio [Neves (PSDB-MG)", e
acrescenta: "O Aécio não tem condição, a gente sabe disso, porra. Quem
que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de
campanha do PSDB...".
"É, a gente viveu tudo", completa Jucá, sem avançar nos detalhes.
De acordo com a reportagem, na gravação, Machado tenta refrescar a
memória de Jucá: "O que que a gente fez junto, Romero, naquela eleição,
para eleger os deputados, para ele [Aécio] ser presidente da Câmara?"
Não houve resposta de Jucá. Aécio presidiu a Câmara dos Deputados entre
2001 e 2002.
Machado prossegue, afirmando que a "situação é grave"
porque "eles", em referência à força tarefa da Lava Jato, "querem pegar
todo mundo". Jucá concorda, ironizando o plano. "Acabar com a classe
política para ressurgir, construir uma nova casta, pura", afirma.
O
atual ministro do Planejamento falou ainda sobre as dificuldades que o
PMDB vinha enfrentando para "a solução Michel", que seria a posse do
vice-presidente no lugar de Dilma Rousseff. O único empecilho, segundo
Jucá, era o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). "Só Renan
que está contra essa porra. 'Porque não gosta do Michel, porque o Michel
é Eduardo Cunha'. Gente, esquece o Eduardo Cunha. O Eduardo Cunha está
morto, porra", afirma Jucá no diálogo, que foi gravado.
"O Renan
reage à solução do Michel. Porra, o Michel, é uma solução que a gente
pode, antes de resolver, negociar como é que vai ser. 'Michel, vem cá, é
isso e isso, isso, vai ser assim, as reformas são essas'", disse Jucá
ao ex-presidente da Transpetro.
Machado fala ainda: "O Renan é
totalmente 'voador'. Ele ainda não compreendeu que a saída dele é o
Michel e o Eduardo. Na hora que cassar o Eduardo, que ele tem ódio, o
próximo alvo, principal, é ele [Renan]. Então quanto mais vida,
sobrevida, tiver o Eduardo, melhor para ele. Ele não compreendeu isso
não".
Jucá então completa, segundo da Folha de S. Paulo: "Tem que ser um boi de piranha, pegar um cara, e a gente passar e resolver, chegar do outro lado da margem".
De
acordo com a reportagem, o senador também afirmou a Machado que havia
conversado com "generais", os "comandantes militares", e que eles haviam
dado "garantias" ao PMDB a respeito da transição e estavam
"monitorando" o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).
A
assessoria de Aécio Neves (PSDB-MG) afirma que ele "desconhece e
estranha os termos dessa conversa". "Ele foi eleito presidente da Câmara
em 2001 por maioria absoluta dos votos em uma disputa que contou com
outros nove candidatos, tendo sido essa eleição amplamente acompanhada
pela imprensa".
Fonte Jornal do Brasil

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