Dois vídeos e um áudio que circulam nas redes sociais mostram o
desespero da família do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony
Garotinho (PR) com a transferência dele de um hospital para o complexo
penitenciário de Bangu. O ex-governador, que estava internado no
Hospital Souza Aguiar, foi transferido por determinação do juiz
Glaucenir Silva de Oliveira, o mesmo que determinou sua prisão.
No áudio, distribuído em grupos de WhatsApp, Garotinho diz que teme
ser morto no presídio e que vai se reunir com o procurador-geral da
República, Rodrigo Janot, na próxima quarta-feira para “entregar o resto
da quadrilha”, sem especificar à qual se refere. Ele resiste ao ser
informado por agentes federais que será transferido naquele instante
para Bangu.
Levar é o cacete. Eu não vou. Isaías do Borel (líder de uma facção
criminosa), tem um monte de preso lá que foi tudo eu que botei na
cadeia. Estão doidos para me levar para lá para me matar. Sabe que
quarta-feira eu tenho reunião com dr. (Rodrigo) Janot para entregar o
resto da quadrilha. Isso tudo foi armado. Eu não vou”, esbravejou. “O
senhor vai. Porque o senhor está preso com decisão judicial. Nós vamos
cumprir a ordem judicial”, retrucou o policial. “Me matar é uma decisão
sua”, replicou Garotinho.
Os vídeos registram dois momentos. O primeiro se dá quando os
policiais chegam ao quarto onde Garotinho estava internado. A deputada
Clarissa Garotinho (PR-RJ) e sua mãe, Rosinha Garotinha (PR), atual
prefeita de Campos (RJ) e ex-governadora, imploram aos agentes policiais
que não levem o ex-governador devido à sua situação médica. “Meu pai
não é bandido”, repetiu várias vezes Clarissa, aos prantos. Após
resistir e travar o diálogo acima com os agentes federais, Garotinho foi
retirado à força da cama.
Secretário de Governo de Campos, Garotinho foi levado ao Hospital
Municipal Souza Aguiar ao passar mal depois de ter sido preso na última
quarta-feira. Os médicos identificaram alterações cardíacas,
recomendaram a realização de um cateterismo e que ele ficasse internado
até ser conduzido para o Instituto de Cardiologia Aloysio de Castro, na
semana que vem. Mas o juiz Glaucenir Silva entendeu que Garotinho estava
tendo tratamento privilegiado e regalias no hospital.
Na saída do Souza Aguiar, enquanto o ex-governador era levado para a
ambulância, a família voltou a resistir. O próprio Garotinho tentou se
levantar duas vezes da maca. “Querem matar ele lá, ele não é bandido”,
voltou a gritar, aos prantos, Clarissa. “Eu quero ir com ele, deixa eu
ir com ele. Ele está passando mal”, pediu a deputada. O apelo não foi
atendido.

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