Em nota divulgada nesta tarde, a defesa do ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva divulgou nota sobre a entrevista do delegado Igor Romário
de Paula, da Lava Jato, em que ele afirma que Lula por vir a ser preso
em 60 dias.
Leia abaixo:
Sobre a entrevista concedida pelo Delegado Igor Romário de Paula ao
portal UOL (27/01/2017), fazemos os seguintes registros, como advogados
do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva:
1- A divulgação pela imprensa de fatos ocorridos na repartição
configura transgressão disciplinar segundo a lei que disciplina o regime
jurídico dos policiais da União (Lei no. 4.878/65, art. 43, II). Além
disso, a forma como o Delegado Federal Igor Romário de Paula se dirige
ao ex-Presidente Lula é incompatível com o Código de Ética aprovado pela
Polícia Federal (Resolução no. 004-SCP/DPF, de 26/03/2015, art. 6o, II)
e com a proteção à honra, à imagem e à reputação dos cidadãos em geral
assegurada pela Constituição Federal e pela legislação
infraconstitucional e, por isso, será objeto das providências jurídicas
adequadas;
2- Ao renovar uma abordagem sobre hipotética privação da liberdade
do ex-Presidente sob o enfoque de “timing” ou sentido de oportunidade, o
Delegado Federal Igor Rodrigo de Paula deixa escancarada a natureza
eminentemente política da operação no que diz respeito a Lula. Há
pré-julgamento, parcialidade, vazamentos e comportamentos que violam a
ética e a conduta profissional por parte de diversas autoridades
envolvidas nas investigações e processos referentes ao ex-presidente. É o
“lawfare”, como uso da lei e dos procedimentos jurídicos para fins de
perseguição política, exposto reiteradamente pela defesa de Lula, que
fica cada vez mais claro a cada pronunciamento de agentes públicos que
participam da Operação Lava Jato;
3- Agentes públicos que se valem do cargo para promover atos
lesivos à honra de Lula ou de qualquer cidadão cometem abuso de
autoridade, na forma do artigo 4o., alínea "h", da Lei no. 4.898/65. Por
isso, o conteúdo da entrevista concedida pelo Delegado Federal Igor
Romário de Paula deve ser investigada e punida, se constatada ocorrência
do ilícito, independentemente de "timing". Ninguém está acima da lei,
quanto mais as autoridades encarregadas de garantir o seu cumprimento;
4- A declaração do delegado Igor de Paula caracteriza coerção moral
ao ex-Presidente e ataque à sua imagem pública. É inadmissível que um
agente do estado se pronuncie sobre investigação ainda em curso, sob sua
responsabilidade, com o claro objetivo de constranger um cidadão, em
desrespeito ao direito de defesa e ao devido processo legal.
O fato presente é mais uma evidência de que alguns integrantes e
mesmo coordenadores da Operação Lava Jato desviaram-se do objetivo da
investigação, para atuar na perseguição ao ex-presidente, mesmo sem
existir evidências de delitos ou provas de qualquer tipo contra Lula.
Fonte Brasil 247

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