O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na
Primeira Instância, se deparou com um grupo de manifestantes nesta
segunda-feira (6), na Universidade de Columbia, em Nova York, onde foi
dar uma palestra. O protesto começou quando ele entrou no auditório. Uma
mulher começou a gritar acusando o juiz de ser "tendencioso". Um grupo a
acompanhou com cartazes, vaias e gritos.
Moro esperou no palco o
grupo ser retirado. Na frente da universidade, outro grupo de estudantes
e professores também protestou com cartazes.
A carioca Luiza Nassif, 29, que estuda economia na New School for Social Research, falou à Folha de S. Paulo
que nomes de palestrantes que questionam a Lava Jato foram sugeridos,
mas a organização não aceitou. A New School organiza a palestra em
parceria com Columbia.
Nesta terça-feira (7), no mesmo evento, haverá uma palestra da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia.
Palestra
O juiz Sérgio Moro disse em sua palestra que as
investigações que vêm sendo realizadas no Brasil contra a corrupção no
meio político e empresarial possibilitarão o fortalecimento das
instituições e reforçarão na sociedade a aversão contra o comportamento
de pessoas públicas que descumprem a lei. Moro atribuiu os boatos
espalhados na internet de que seria um agente da CIA (órgão de
inteligência do governo norte-americano) a uma "teoria da conspiração",
que busca tirar do centro do debate político os efeitos positivos das
investigações.
Em sua fala, Moro defendeu celeridade nas
investigações da Lava Jato para que sejam evitadas as práticas de
"obstrução" da Justiça, como costuma ocorrer quando há nomes de
políticos e empresários importantes envolvidos. Dirigindo-se ao público
presente , ele disse que quem vive nos Estados Unidos não tem ideia do
número de processos em andamento. "É além da imaginação", disse. Moro
acrescentou que o excesso de casos acaba permitindo manobras
obstrutivas. "É uma história sem fim", definiu.
Moro contou que a
operação enfrentou, ao longo de seu trabalho, alguns contratempos. Entre
eles a morte do ministro Teori Zavascki, do STF. Para ele, Teori era
profundamente comprometido com a celeridade dos processos e disse
esperar que o novo relator, Edson Fachin, dê continuidade a esse
trabalho.
Doença tropical
Moro afirmou que a
corrupção às vezes se assemelha a uma "doença tropical", mas destacou
que, no caso do Brasil, felizmente o combate aos desvios de políticos e
empresários está mostrando à sociedade que é possível superar o
problema.
O juiz também considerou infundadas as críticas de que a
Lava Jato tem prejudicado a economia brasileira por envolver grandes
empresas que geram investimentos e empregos. Ele disse que, se os
investimentos foram planejados com essa noção de que não há corrupção,
os recursos provenientes dos lucros das empresas vão ser dirigidos "para
combater a miséria" e não para o pagamento de propinas.
Críticas
Sérgio
Moro também comentou as acusações de que a Lavo Jato não tem a
imparcialidade necessária a uma investigação judicial. "Isso não é
certo", rebateu. Ele admitiu que, em alguns casos, segmentos da equipe
de investigação vão além do esperado, mas esclareceu que os exageros não
chegam a comprometer o resultado da operação. "Os crimes estão expostos
e os procuradores e [integrantes do] Judiciário são sérios".
Ao
ser indagado por uma participante sobre os constantes vazamentos da Lava
Jato, Moro disse que que "é muito difícil" saber a origem da informação
quando ela sai do controle da investigação. "É muito difícil saber quem
vazou para a imprensa", disse. Questionado ainda sobre porque aparece
em imagens ao lado de políticos que estão sendo investigados na Lava
Jato, como o caso do senador Aécio Neves (PSDB-MG), Moro disse que as
fotos divulgadas se referem a um evento público em que, por acaso, os
políticos investigados também participavam.
Fonte Jb

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